Dead Set e a Crítica aos Reality Shows com... Zumbis?

sexta-feira, dezembro 12, 2014




Você ai fã de horror ou zumbis que pensa que já viu tudo sobre esses monstrengos que poderia existir essa minisérie vem para te mostrar o apocalipse zumbi de um angulo que você provavelmente nunca imaginou; pelos olhos dos participantes e produtores do Big Brother.


Nome: Dead Set
Gênero: Horror
N° de episódios: 5
Sinopse: Nesta minissérie britânica de cinco episódios, acompanhamos o início de um apocalipse zumbi no Reino Unido, ocorrendo concomitantemente à noite do Paredão do Big Brother inglês. Apenas aqueles dentro da "casa" (que é isolada) e um punhado de funcionários do programa sobrevivem e precisam lutar para continuar assim.










Dead Set tem como personagem principal Kelly, uma garota que trabalha na produção do Big Brother da Inglaterra e em uma noite de paredão que tinha tudo para ser comum o apocalipse zumbi estoura e ela acaba sendo uma das únicas sobreviventes do set. E então ela busca refugio dentro da casa, onde estão os outros participantes que ainda não sabem nada sobre o que está acontecendo no "mundo real".

Enfim, vamos para a parte crítica da resenha...
Outro bom ponto: a protagonista é foda!
Bom, a série já é um pouco antiga, foi lançada em 2008, mas eu só fui conhecer ela a alguns dias por indicação de uma amiga e bom... eu adorei!
Amei a abordagem original que eles conseguiram dar a um tema que já está tão batido, adorei as críticas inseridas dentro da série a como a TV pode nos "zumbificar", enfim... adorei.
A produção em si também é muito bem feita, principalmente pelos poucos recursos que eles tinham. Li em algum lugar que a maioria dos zumbis são pessoas que foram recrutadas pelo facebook do criador da série.
A história possui 3 núcleos; o núcleo dos participantes da casa mais a Kelly, outro núcleo com dois sobreviventes que ainda estão presos dentro do Set e mais um com Riq, namorado da Kelly, que junta-se com mais uma sobrevivente enquanto eles tentam escapar dos zumbis no "mundo real" (fora dos muros da casa).
Quanto as personagens, a maioria como são participantes do Big Brother seguem aquele estilo clichê de participantes de Reality Shows, ou seja, muito irritantes. Já a Kelly surpreendentemente é uma protagonista muito boa, forte e que não fica o tempo todo fazendo mimimi como a maioria dos protagonistas fazem.
Mas uma coisa que eu realmente gostei nisso tudo foram as críticas realizadas dentro da série com os Reality Shows, como por exemplo em uma cena onde mostra um zumbi olhando para a câmera de dentro da casa e outro zumbi em uma loja vidrado na imagem da TV que ainda esta transmitindo o programa. Eu achei genial essa analogia que eles fizeram comparando a imagens de zumbis a imagem dos telespectadores ou dos próprios participantes destes shows, como também acontece em outra cena quando os zumbis sem motivo aparente começam a se aglomerar em frente aos portões da casa e um dos personagens cita "deve ter sido a última coisa que eles estavam assistindo antes de se transformar em zumbis", como se mesmo depois de perder seus cérebros o desejo de entrar na casa ainda sobrevivesse como um instinto primitivo.

Criticas mesmo?
Então, como eu disse eu adorei a série e a forma criativa que ela arranjou para fazer críticas já tão conhecidas contra o BB. Agora imaginem minha surpresa quando fui procurar informações sobre a minisérie para fazer essa resenha e descubro que ela foi produzida em parte pela Endemol, que pra quem não sabe é a empresa criadora do Big Brother. 
Então eu fiquei pensando: qual a lógica de uma empresa apoiar a produção de uma série que crítica ao seu principal produto?
Rir de si mesma?
Talvez, mas eu realmente não acredito que essa seja a única resposta.
Então eu lembrei de um termo com o qual eu já havia tido contato e associado a outros produtos midiáticos; a Teoria do Agenda-Setting.
Vocês podem já ter ouvido falar sobre isso, ou talvez não, mas para quem não conhece vou tentar explica-la rapidamente com uma frase do Bernard Cohen"Na maior parte do tempo, [a imprensa] pode não ter êxito em dizer aos leitores como pensar, mas é espantosamente exitosa em dizer aos leitores sobre o que pensar".
O que isso quer dizer? Conhecem aquele velho ditado do "Falem bem ou mal, mas falem de mim"?
Então.
Essa é a essência da teoria do Agenda-Setting. É lógico que essa teoria não se restringe apenas ao jornalismo e ao que é noticiado nos meios jornalísticos, ela vai muito além e esta muito ligada a publicidade. 
O Big Brother é um programa que faz um tremendo sucesso, mas ele dura em média 3 meses por ano, então como fazer com que ele não seja esquecido durante o resto do ano? Produzindo outros produtos que levem a sua imagem, criando pautas, chamando a atenção para que ele não seja esquecido pelo público.
Mas então você se pergunta: Vale a pena mesmo produzir produtos levando a imagem do programa mesmo que esses produtos tenham a intenção de CRITICAR o programa?
É ai que entra outro termo: A "Tolerância Repressiva".
Tolerância Repressiva foi apresentada Herbert Marcuse, e ela fala que quando a sociedade de consumo depara-se com uma crítica em potencial ela é capaz de encontrar meios de transformar esse discurso de oposição em algo produtivo para o funcionamento do seu próprio sistema.
E nesse caso Dead Set se torna um exemplo claro disso.
Então pensem: Eu sou a Endemol e eu sei que existem diversas críticas contra o Big Brother e contra Reality Shows, então porque não pegar essas críticas e transforma-las em um produto midiático interessante para o publico e conseguir mais dinheiro justamente em cima dessas críticas que estão fazendo contra mim? Genial não é?
E assim o rir de si mesma se transforma no rir da nossa cara!

Mas enfim, pelo menos ainda podemos aproveitar essa ótima produção.

Bjos

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